quarta-feira, 9 de novembro de 2011

antropologia


Antropologia

Características gerais de cada cultura:
- Organização familiar – Parentesco
- Religião (existência ou não)
- Economia (organizam a sua forma de reprodução de bens e serviços)
- Sistema político
                        
EM TODAS ESTAS CARACTERÍSTICAS EXISTE UM SISTEMA SIMBÓLICO

- Mesmo as culturas mais afastadas dos sistemas ocidentais têm um sistema económico
- Antropologia estuda os povos do presente. A observação participante, contemporâneo.
- O estudo do Outro – a Diversidade
** A cultura é um processo em mutação constante (Sistemas culturais diversos)
- Quando alguém organiza tende a mudar e trocar dados culturais
- A Cultura não é imutável

Antropologia: é o estudo do Homem, as diferenças sociais, estudo do Outro ou da diversidade (são diferentes em relação aos meus hábitos, da minha maneira de ver o mundo), a identidade (é o que nos identifica num determinado contexto) é o estudo da cultura, estuda o presente, recorrendo por vezes ao passado.

O método específico de análise antropológica é a observação participante (observa e participa). É um estudo das culturas contemporâneas do investigador.

A cultura é um processo sempre em mutação (muitas vezes os meios sociais, tendem a passar a ideia que a cultura é algo estável, como uma determinada maneira de ver o mundo, essa noção é cristalizada em si próprio, mas não corresponde à realidade) adapta-se e intercambia com outras pessoas, é um processo.


A língua tal a cultura é algo que se adapta.


Só existe uma raça - a raça humana. 

Existe várias etnias – grupos sócio-cultural que partilha a mesma identidade, isto é, que possui a mesma língua, a mesma religião, mesma estrutura económico-social e de parentesco. E não pode ser generalizada.
Não havia factores genéticos que diferenciasse as raças.
Como sociedade temos a tendência de classificar e rotular.
Conceitos de diversidade (Autor – contexto – ano)

A ideia de mais de uma raça tem por trás Motivos ideológicos que justificam conceitos hegemónicos, que existem uma raça superior.

Motivos ideológicos à conceitos hegemónico (ligado ao poder).


Substituir a ideia de raça por etnia está errado. Não existe uma etnia africana, nem uma etnia cabo-verdiana. Em Portugal, existe uma etnia: a cigana.



EVOLUÇÃO DO HOMEM
- Início do estudo da Evolução do Homem: o processo de hominização e as especificidades de evolução humana a partir do desenvolvimento da capacidade simbólica 
   - Diferenças entre os conceitos Natureza e Cultura


 Objecto de estudo da Antropologia : Descoberta do Outro -   (Descobrimentos)

O estudo do Homem inserido numa sociedade e numa cultura sem a qual não pode existir – ser gregário.
-          
Charles Darwin (1859)- A origem das espécies



NATUREZA VS CULTURA
           
Conceito de natureza
- O universo como totalidade cósmica, visível e invisível, dentro do qual o homem está imerso. O cosmos, inclui coisas, os seres, os animais, os homens e as forças conhecidas e desconhecidas que os regem. Refere-se também à totalidade do universo e não ao céu ou ao espaço dos corpos celestes. Por natureza, compreende-se também o ambiente ecológico, a terra, a vegetação, os animais. à A NATUREZA INCLUI TUDO O QUE EXISTE.
- As leis físicas e biológicas que regem a constituição íntima das coisas e dos seres, são também descritas pelo nome da natureza. O próprio homem, na sua estrutura física, sujeita-se a estas leis: nasce, cresce e morre. A personalidade do homem qualquer que possa ser o ponto de vista cultural tem um fundamento determinado na sua própria constituição física e biológica. à AS LEIS FISICAS E BIOLOGICAS ANCAIXAM-SE NO HOMEM. A ESTRUTURA FISICA INFLUENCIA A PERSONALIDADE DAS PESSOAS.

A natureza pode existir sem culturas, mas a cultura não pode existir sem natureza.

- O homem intervém constantemente na natureza com o objectivo de a regular.

1º Exemplo: os rituais do casamento nas diferentes culturas, são também uma forma de regular a livre actividade sexual. A proibição do incesto e a exogamia limitam e ordenam. Segundo linhas determinadas, as relações sexuais.

Nos seres humanos a maneira como se nasce, cresce e morre é que está determinado pela cultura.

Carpideiras – pessoas contratadas para chorar nos funerais. Confirma a ideia de que se vive em função do doutro. (Chorar para que a sociedade veja o sofrimento)

Pode-se viver sem sociedade mas não sem cultura.

----» A própria SOBRE-NATUREZA é para muitas culturas, parte da natureza.

ESTUDO DA EVOLUÇÃO DA CULTURA

Levi – strauss considera a proibição do incesto um fenómeno que apresenta simultaneamente o carácter distintivo da natureza, pela sua universalidade, e o carácter distintivo da cultura porque é o objecto de leis e instituições. As pulsões são naturais mas a sociedade criou o casamento para legitimar esta característica natural.
(Em todas as sociedades existe o tabu do incesto)

2º Exemplo: a linguagem: falar é um facto universal da natureza humana. A língua (idioma) é um facto particular da cultura.

A natureza do homem é produzir cultura.
A principal prova da cultura é a língua. A língua é o produto da cultura.

Fala à natureza
Língua à cultura

EXOGAMIA/ ENDOGAMIA                        POLIGAMIA/MONOGAMIA

Endogamia – obrigatoriedade de encontrar um parceiro ou de se casar no interior do próprio grupo – ciganos.
Exogamina – obrigatoriedade de casar com o exterior do grupo. Exemplo tribos para negociação ou economias ou alargamento de famílias.

Poligamia/Monogamia
Poligamia:
Poligenia: 1 homem varias mulheres
Poliandria: 1 mulher e vários homens



Antropologia é diferente de sociologia
Antropologia à interessa-se pela diferença, pelo particular
Sociologia à faz o estudo da sociedade com estereótipos.

Diferenças Cruciais entre SOCIAIS E CULTURAIS
Ex. A linguagem – Falar é universal.

Conceito Antropológico de Cultura

Edward B. Taylor (evolucionista - 1871): “A cultura é o complexo unitário que inclui o conhecimento, a crença, a arte, a moral, as leis e todas as outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem, como membro da sociedade.”

Símbolos – actividade mental do homem.

-         Aspectos não biológicos da humanidade
-         Forma de vida de um determinado grupo social
-         Instrumentos não geneticamente adquiridos pelo homem, assim como todas as facetas de comportamento adquiridas após o nascimento.
-         Padrões de cultura - diferem de sociedade para sociedade e de acordo com o meio ecológico em que os indivíduos se inserem.
-     Necessidade” de Cultura:

a) Flexibilidade na luta contra o ambiente – pólo norte, deserto

b) Extensões à limitação biológica: ferramentas, computadores, óculos, pacemakers, etc.
-         Identidades híbridas hoje em dia. Mecanismos adaptativos

Qual é o conceito de cultura hoje?
·        A cultura não é algo estático. A cultura é um processo dinâmico, compreendendo muitas variáveis que afectam a nossa experiência. A cultura é inseparável dos aspectos económicos, políticos, religiosos, psicológicos, condições biológicas através das quais se exprimem as emoções e os significados.
·        O Processo cultural defere frequentemente de acordo com a idade, a classe de pertença, o género, a associação politica ou étnica e até  a personalidade.

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- Condicionantes culturais da biologia:

a) Restrições alimentares por imperativos abstractos – religião o homem é o único ser vivo que pode voluntariamente ficar com fome no meio de tanta fartura alimentar (vacas na índia, porco, etc.)

b) Fome: toda a gente sente fome à mesma hora?

c) Pulsões sexuais: condicionadas pelos padrões culturais: casamento, celibato, monogamia, poligamia, etc.

d) Necessidades fisiológicas: (arroto)

- Biologia pode existir sem cultura mas não o inverso.

A GENÉTICA SE ALTERA POR CAUSA DA MISCIGENAÇÃO.

(Miscigenação: troca de características genéticas entre pessoas diferentes)

CULTURA

-     Antropologia - esta ciência entende a cultura como a totalidade de padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. E mais uma vez, segundo a definição pioneira de Edward Burnett Tylor, sob a etnologia  (ciência relativa especificamente do estudo da cultura) a cultura seria "o complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade". Portanto corresponde, neste último sentido, às formas de organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a identidade desse povo.  




PALEOLÍTICO
-  CRO-MAGNON –Postura ereta, cospos altos e robustos.
- Andar sem por as mãos no chão ( Coordenação íntima entre as mãos e os olhos – fabricação de artefatos (Motricidade fina)
- Usar o cérebro
- Capacidade de abstração: Poder tratar de coisas não existentes ou imaginárias com a mesma segurança com que trata os objetos (sereia); orgulho, amor, amizade, importância do uso da palavra.
- Comportamento  simbólico: Poder mental de atribuir um ou mais significados a qualquer coisas que não tem significado próprio: X, zero,etc…
- Siginificado dos símbolos:
* na alimentação
* no vestiário
* na saúde (vários conceitos de saúde de acordo com a cultura)
* na religião (Cruz indígena)


PRÉ-HISTÓRIA
1)     PALEOLÍTICO INFERIOR – Entre 500 000 a.C e 120 000 a.C
- Os primeiros hominídeos entraram na Europa Ocidental num período inter-glacial quando o clima era mais ameno.
- Em alguns lugares como na China, há vestígios de terem ocupado cavernas
- Organizavam-se em pequenos bandos ao longo das margens dos rios e lagos.
- Nómadas
- Caçadores e recolectores
- Rudimentos de manufacturas (utensílios de pedra, osso, e pau) generalizados: coup-de-poi,  facas aguçadas, raspadores, machados e cutelos. Ferramentas especializadas para fins específicos.
- “Cada um por si”
- caça: objectos grandes lançados a grandes distâncias.
2)     PALEOLÍTICO MÉDIO – Homem de Neanderthal – 120 000 a.C até 70 000 anos
- Vestígios encontrados em cavernas
- Mudanças nas condições climatéricas (mais frio)
- Fogo utilizado para aquecimento, iluminação e preparação de alimentos
- Peles como vestuário
- Armas de arremesso (Pontas triangulares, lanças…


3) Paleolítico Superior – Cro-magnon
(70 000 AC – 20 000 anos AC)
- Grandes alternâncias climatéricas (Frio e calor alternado), provocando grandes variações geográficas.
- Maior e mais acelerada especialização nas ferramentas (lâminas), anzóis, arco e flechas.
- Aprenderam a trabalhar o marfim e o chifre
- Início das artes. Escultura, pintura, gravura, adornos corporais cavernas de Lascoux (França), Altamira (Espanha).- maior abundância alimentar.
- Interesse pelo sexo ligado à reprodução.
- divisão de tarefas.
- surgimento de estatuetas talhadas em pedra que simbolizava o corpo da mulher ( seios e ventre muito exagerados)
- relação entre o corpo da mulher e o culto da fertilidade.
- Aparecimento das primeiras “Vénus”: culto da fertilidade.
- Agulhas de osso – vestuário
- Capacidade de previsão: armadilhas
- Refinamento nos cultos e rituais de morte: construção de túmulos
- Uso do fogo: aquecer, proteger, cozinhar, iluminar


 Mesolítico
(20 000 até há 6 000 anos AC)
- Enormes modificações ambientais: recuo dos glaciares
- Elevou-se o nível das águas
- Início dos transportes aquáticos: lemes em forma de remo, canoas
- ultrapassagem de fronteiras naturais (lagos)
- Surgiu a floresta densa
- Aparecimento de novas espécies animais e vegetais
- Deslocação de pessoas, ideias e objectos
- Ambientes diferenciados
- Adaptado à vida na floresta e nos bosques
- Domesticação do cão (fins não alimentares)
- Início da domesticação dos animais
- Cerâmica – olaria: retenção de bebidas e alimentos



­ Neolítico
­­- Início da agricultura
­- Agricultura: alimentos, roupa, tecelagem – linho, algodão, cestaria
- Comunidades agrícolas: começam a produzir mais do que o que necessitam para sobreviver
- Produtores de alimentos vegetais e animais­
­- Aumento de variedade alimentar – carne, leite
­            - Início da sedentarização
­            - Diferentes estruturas sociais: início das lutas em grande escala
­            - Agregados populacionais fortificados
­            - Divisão social do trabalho
­            - Estruturas de poder verticais
­            - Agricultura: zona do mediterrâneo oriental: o crescente fértil: rio Nilo Egipto, entre o rio Tibre e o Eufrates.
­- Aperfeiçoamento de todas as técnicas.
­- Início da ciência: transformação química consciente da natureza: cerâmica
­- Início das profissões: artesãos, tecelões …
­- Planeamento e previsibilidade: observar natureza, desbravar o terreno, lançar sementes, esperar que cresçam, colhê-las, prepará-las, comê-las.
­- Capacidade de armazenamento
­- Início da actividade comercial
­- Domesticação de animais – pastorícia
­- Construção de habitações
­- Organização Social
­- Protecção – fortificações
­ - Invenção da roda
­ - Metalurgia – moeda
­ - Organização social cada vez mais complexa
­ - Divisão sexual do trabalho
­ - Princípio da especialização profissional
­ - Desenvolvimento da economia e da religião
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Filme : “A Vila”

Grelha de leitura para o filme:

1 - Explique a organização social da vila.
A Vila conta a história de um grupo de pessoas que vive numa vila na Pennsylvania cercado por uma floresta, no ano de 1987.
Existem dirigentes do lugar, os anciãos, que formaram a vila recolhendo-se lá porque tinham em comum eventos trágicos e violentos como vítimas de assaltos, ou próximos de pessoas que foram assassinadas.
Estes anciãos realizam reuniões rotineiras pelos mais diversos motivos. Eles são quem rege a lei deste lugar, manifestam-se sobre o que deve e o que não deve ser feito em todos os aspectos da vida quotidiana e, em prol da segurança de todos, proíbem os habitantes de entrar na floresta porque enquanto estão na vila, as pessoas estão seguras.
Mas mais do que isso, é quase como se não houvesse porque sair de lá, pois não há dinheiro, não há pobreza, os alimentos e bens são repartidos entre os habitantes, não há violência, não há crime, as pessoas vivem em completa harmonia.

* 2 – Qual o papel dos anciãos vs jovens?
Os anciãos são os dirigentes da vila, em que realizam reuniões para discutir diversos assuntos, entre os quais os que se deve ou não ser feito na vida quotidiana para que haja segurança nos seus habitantes. Estes transmitem aos mais jovens a ideia de que há monstros perigosos para além da floresta
Os jovens obedecem as leis inseridas pelos anciãos, principalmente a de não entrar na floresta e aprendem a como a podem gerir mais tarde.

3 – Identifique os mitos encontrados no filme. Explique a sua função.
E logo de início, o que se coloca é que na floresta vivem seres monstruosos e conhecidos por “aqueles de quem não podemos falar”. Existem atemorizantes histórias elaborados pelos anciões sobre eles, brincadeiras entre adolescentes que testam sua coragem, oferendas feitas para apaziguar uma possível ira desses seres.
Dizem que há muito os monstros não entram na vila devido a existir uma espécie de pacto entre eles, a vila não é invadida e os habitantes não são aterrorizados, desde que não entrem na floresta. Permanecendo cada um, dentro de seu próprio terreno.
Os monstros são apenas representantes que amedrontam para conseguir um determinado resultado de comportamento. Pretendia-se que as pessoas não quisessem descobrir o mundo lá fora e abandonassem a aldeia, tinham medo que os seus amigos e familiares passassem pelo que os anciões já tinham passado em tempos como assaltos e assassinatos.

* 4 – Identifique os símbolos encontrados. Explique a sua função.
A cor vermelha é uma cor proibida, pois atrai o mal, atrai os monstros conhecidos por “aqueles de quem não podemos falar”.
A cor amarela é a cor da protecção pois protege-os contra o mal.

5 – Defina o conceito de fronteira e o seu papel na relação eu /outros.
A floresta e os monstros compõem um limite que os habitantes da vila não podem transpor.
Em toda extensão do limite entre esse local e a floresta há bandeiras demarcando o território e, em alguns pontos, existem vigias que avisam caso a fronteira seja transposta.

6 – Explique a coacção, o segredo e o medo como modo de controlo social.
Os anciãos querem dar motivos às pessoas para que não abandonem a vila, pois ali não há a ganância do dinheiro, não há pobreza, os alimentos e bens são repartidos entre os habitantes, não há violência, não há crime, as pessoas vivem em completa harmonia. Ao contrário do que eles observaram na cidade, eventos violentos como assaltos e assassinatos.
Atemorizados pelo que seriam os monstros dessas grandes cidades, fecham-se num ambiente isolado, e passam a criar lá seus filhos. Inventando histórias para que não correm o risco de passar novamente pelo medo de perder alguém e para que eles não abandonem a sua terra.

7 – Explique/Indique outros aspectos relevantes que queira realçar (personagens).
Ivy Walker apesar de todas as histórias inventadas pelos anciãos, incluindo seu pai, preferiu arriscar sua vida para salvar seu amado.
Os anciãos inventaram imensas histórias sobre monstros, no qual o filho de um deles acabou por dar vida a essas fantasias, ao vestir as vestimentas usadas pelos supostos monstros, onde acabou morto no fim da história.


A IMPORTÂNCIA DA FRONTEIRA
- As fronteiras são tão móveis quanto a própria cultura.
- Reside no fato de consubstanciar algo que está na própria base questão animal. A ideia de que um ser estranho pode invadir nosso espaço.
Instintivamente o que separa um grupo do doutro, o que nos dá segurança e identidade.
- Sobreviver em grupo é mais fácil do que viver só. Por isso a ideia do ser gregário.
- Provavelmente já não existem motivos para nos defendermos do outro.  Por causa do raciocínio e da cultura. Esse é apenas um meio de sermos dominados por aqueles que criam a fronteira. É uma divisão imposta politica e institucionalmente.
- Ao transpor a fronteira ganhamos conhecimento, 
- Culturas Híbridas – São o reflexo de muito contato com outras realidades.
- Quadrasais – Aldeia do Norte de Pt. – Toda a população dedicavam-se ao contrabando (1984) A questão da fronteira para ele implicava um transgressão diária.
- Fenômeno Social Total – Num determidado aspecto da sociedade, ceve ser sempre analizado em relação com todos os outros aspectos desta realidade. Ou seja, um fenómeno tem sempre uma implicação total. (No caso desta vila, o contrabando.)
Devido a dificuldade de cultivo, tendiam a arriscar o contrabando para o lado da Espanha. O terreno era infértil. Eram aldeias rurais, todos eram camponeses. Tinham uma vida muito dura. Eram os homens que atravessavam e eram as mulheres que recebiam os produtos e iam vender no país.
- A questão da identidade  - Eram sempre vistos como inferiores. E viam os outros da mesma forma, visto que especialmente as mulheres conheciam “o mundo” muito mais do que as que vivam apenas nas aldeias.
- NÃO SOMOS MELHORES PORQUE SOMOS DIFERENTES. SOMOS APENAS DIFERENTES.
- Em aula tentamos ultrapassar a barreira do desconhecimento e alcançar a sabedoria.

CULTURA, SÍMBOLOS E MITOS
Para o saber antropológico o conceito de cultura abarca diversas dimensões: universo psíquico, os mitos, os costumes e rituais, suas histórias particulares, a linguagem, valores, crenças, leis, relações de parentesco, as relações económicas, as relações políticas entre outros. Hoje em dia e principalmente por efeito da globalização, sabemos que a cultura não é estática, mas sim um processo dinâmico. Quer isto dizer que podemos falar de culturas híbridas ou mesmo de identidades híbridas, como resultado das influências culturais em todos os sentidos e em todos ao lugares.
Embora o estudo das sociedades humanas se remonte a Antiguidade Clássica, a antropologia nasceu, como ciência, efectivamente, da enorme revolução cultural iniciada pelo Iluminismo.
Portanto corresponde, neste último sentido, às formas de organização de um povo, ou dum grupo específico, costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência comum, se apresentam como a identidade desse povo.
O uso de abstracção é uma característica do que é cultura: os elementos culturais só existem na mente das pessoas, nos seus símbolos tais como padrões artísticos e mitos. Entretanto fala-se também em cultura material (por analogia a cultura simbólica) quando do estudo de produtos culturais concretos (obras de arte, escritos, ferramentas, etc). Essa forma de cultura (material) é preservada no tempo com mais facilidade, uma vez que a cultura simbólica é extremamente frágil.
A principal vantagem da cultura é o chamado mecanismo adaptativo: a capacidade de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos, mais rápida do que uma possível evolução biológica. O homem não precisou, por exemplo, desenvolver longa penugem e grossas camadas de gordura sob a pele para viver em ambientes mais frios – ele simplesmente adaptou-se com o uso de roupas, do fogo e de habitações. A evolução cultural é mais rápida do que a biológica. No entanto, ao rejeitar a evolução biológica, o homem torna-se dependente da cultura, pois esta age em substituição a elementos que constituiriam o ser humano; a falta de um destes elementos (i.e., a supressão de um aspecto da cultura) causaria o mesmo efeito de uma amputação ou defeito físico, talvez ainda pior.
Além disso a cultura é também um mecanismo cumulativo. As modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte, de modo que a cultura transforma-se perdendo e incorporando aspectos mais adequados à sobrevivência, reduzindo o esforço das novas gerações.
Um exemplo de vantagem obtida através da cultura é o desenvolvimento do cultivo do solo, a agricultura. Com ela o homem pôde ter maior controle sobre o fornecimento de alimentos, minimizando os efeitos de escassez de caça ou colecta. Também pôde abandonar o nomadismo; daí a fixação em aldeamentos, cidades e estados.


Mitos
Um mito é um relato em forma de narrativa com carácter explicativo e/ou simbólico, profundamente relacionado com uma dada cultura e/ou religião. O termo é, por vezes, utilizado de forma pejorativa para se referir às crenças comuns (consideradas sem fundamento objectivo ou científico, e vistas apenas como histórias de um universo puramente maravilhoso) de diversas comunidades. No entanto, até acontecimentos históricos se podem transformar em mitos, se adquirem uma determinada carga simbólica para uma dada cultura. Na maioria das vezes, o termo refere-se especificamente aos relatos das civilizações antigas que, organizados, constituem uma mitologia - por exemplo, a mitologia grega e a mitologia romana.
Todas as culturas têm os seus mitos, alguns dos quais são expressões particulares de arquétipos comuns a toda a humanidade. Por exemplo, os mitos sobre a criação do mundo repetem alguns temas, como o ovo cósmico, ou o primeiro homem, a primeira sociedade ou o deus assassinado e esquartejado cujas partes vão formar tudo que existe.
O mito para L. Strauss é também uma repetição de imagens ou ideias expressas verbalmente.

Funções do mito


Além de acomodar e tranquilizar o homem em face de um mundo assustador, dando-lhe a confiança de que, através de suas acções mágicas, o que acontece no mundo natural depende, em parte, dos actos humanos, o mito também fixa modelos exemplares de todas as funções e actividades humanas.
O mito, portanto, é uma "primeira fala sobre o mundo", uma primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre a qual a afectividade e a imaginação exercem grande papel, e cuja função principal não é explicar a realidade, mas acomodar o homem ao mundo.

Tipos de mitos

  • Cosmogonias: mitos de origem
  • Mitos de origem e destruição, incluindo os messiânicos e milenários
  • Soteriológicos: de salvadores e heróis
  • Mitos de tempo e eternidade
  • Mitos de renascimento e renovação, incluindo os de memória e esquecimento
  • Mitos de providência e destino
  • Mitos de seres superiores e seus descendentes
  • Mitos de transformação, inclusive os ritos de passagem

Ritual


Um ritual é uma acção simbólica formalizada e pré-determinada normalmente praticada num ambiente particular de forma regular e periodicamente. As acções que compreendem um ritual incluem na sua generalidade recitações, cânticos, grupos de processos, danças repetitivas, manipulação de objectos sagrados, etc...
Normalmente os rituais têm por objectivo invocações espirituais ou respostas a emoções pessoais. Também podem acontecer rituais de grupo, onde pessoas se unem num propósito para uma acção conjunta com o mesmo objectivo.

Símbolo
“O símbolo é uma representação que faz aparecer um sentido secreto” (…) “Qualquer símbolo autêntico possui três dimensões concretas: é simultaneamente “cósmico”, “onírico” e “poético” (apela à linguagem).” (Durand:12). 

Fenómeno social total: um aspecto avaliado em relação a todos os outros aspectos.

Identidade, como um se revê no outro
O diferente não representa uma ameaça.
Tentamos ultrapassar a barreira do desconhecido, necessidade de sair da ignorância.

à Pergunta sobre a fronteira na frequência

Para o saber antropológico o conceito de cultura abarca diversas dimensões: universo psíquico, os mitos, os costumes e rituais …..

O PARENTESCO

SUMÁRIO
O estudo do Parentesco e das estruturas e sistemas familiares.

1 – ESTUDO DO PARENTESCO
A importância antropológica do parentesco depende de contexto social, podendo aparentemente ser suplantada, para relações económicas, politicas e administrativas, mas como explicar o apego tão intenso a instituições como o casamento, a autoridade paterna, os direitos, deveres dos herdeiros ou a lei reagrupamento,

Vantagem da proibição do incesto contribui para alianças à obrigação de reciprocidade.
As alianças à património à herança


Definição de parentesco:
- vinculo que liga os indivíduos entre si, tendo em atenção a geração e a descendência.
- - realidade elementar que o homem pode regulamentar com normas e para fins sociais. As relações que derivam da simples relação sexual entre dois indivíduos, vão além do limite de uma escolha recíproca, passando a interessar aos grupos a que os indivíduos singulares se encontram associados e incluem ainda os descendentes daquela relação.

--» Alianças geram Patrimônios - HERANÇA
--» O parentesco é do domínio da cultura e não da biologia. Varia de sociedade para sociedade e de cultura para cultura.
--» A proibição do incesto favorece as ALIANÇAS – Obrigação de reciprocidade.

TRÊS TIPOS DE PARENTESCO:
a)      Por Consanguinidade: baseia-se no pressuposto biológico que se manifesta na descendência genealógica (mistura o sangue dos progenitores da descendência). Deve ser biológica ou socialmente reconhecido (Ex.: pais adotivos) Nem sempre os genitores são os pais sociais.
b)     Por afinidade (aliança): de ordem puramente social. Dá-se por efeito das normas sociais ou legais. Ex.: casamento (reação bilateral). Afins, são os parentes adquiridos por meio do casamento: para o marido todos os parentes da mulher e vice-versa. (Sogro: Father in law)
c)      Parentesco relacional: baseia-se numa relação particular  e pessoal com um determinado EGO: cada um de nós, considerado EGO, tem um círculo de parentes que lhe são exclusivos.
  

- Noções básicas do conceito de religião: o sagrado e o profano
- A importância dos fenómenos religiosos para a observação dos fenómenos culturais.
- Animismo, magia e toteismo
- Mitos e rituais


Religião liga-se à saúde e à doença.É a explicação da origem da vida e do ser humano.

Todas as religiões têm na sua génese um mito.

Apresentam ao mundo que nos rodeia numa base de dualidade (principio dos opostos).

Documentário espanhol (Azteca – Méxica)
Havia o céu (deuses e astros) composto por várias camadas conhecidas por inframundos.
Todos os mitos de fecundação explicam as forças da natureza, explicam o dia e a noite.
O mundo foi criado em 4 dias e foi destruído por um cataclismo.
Esta religião fala do sacrifício dos Deuses, tinham de arrancar o coração da vitima / sacrificado para que i mundo continuasse.
Na igreja o padre bebe vinho e hóstias que simboliza o sangue e o corpo de Cristo.

COATLICUE à DEUSA DA TERRA
Tal como a virgem Maria também ficou grávida sem fecundação, deu á luz COYOLXAUHQUI (lua) e 400 irmãos (estrelas) HUITZNAHIA.
Ficaram zangados e decidiram juntar-se para matar a sua mãe. E ai nasceu HUITZILOPOCHTLI (sol) nasceu armado e matou todos os outros.
Havia uma luta constante entre o céu e a lua e as estrelasà mas assim nasceu o mundo.

--» Mexica = asteca
--» Coatlicue – Deusa da Terra (tbm engravidou de forma divina e deu a luz à Coyolxauhqui e mais 400 irmãos – Huitznahua -  que são estrelas)
--» Huitzilopochtli é o filho que é o sol que nasceu armado com um raio de fogo ele mata a lua e as estrelas
--» O milho é o principal alimento dos mexicanos e é um símbolo de vida
--» Enfim toda a religião tem como função essencial dar uma explicação lógica daquilo q atormenta o ser humano: A morte e o surgimento da vida.
--» Todas as religiões tem o princípio da DUALIDADE. Os opostos estão presentes em todas elas.

COSMOGONIA – Relato místico sobre o que é o nascimento do mundo

Existia uma dualidade entre o céu e a terra

CÉU
“DEUSES”
POTÊNCIA SUPERIOR
DOMÍNIO


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TERRA
HOMENS
MEDO/ SUBMISSÃO
ORAÇÃO/ PEDIDO / SÚPLICA
Identifica-se através da oração e o medo era resultante da consciência de controlar o destino
Oração/pedido/suplica

--» O medo da consciência de não poderem dominar seu destino e existência. As forças do destino cabem somente aos deuses e não aos humanos.
--» O placebo está para a ciência assim como a fé está para a religião.
--» A submissão é um reconhecimento da superioridade dos deuses

Condiciona a vida dos homens devido ao tipo de religiosidade, como religião oficial – pensamento religioso -. Existe a ideia de que os homens estão sempre localizados num plano inferior. Havia sempre alguém superior a eles, ou outros homens que se denominam superiores, representados por Deus (papa).

Diversos conceitos de religião:
A religião corresponde a um sentimento: fé, crença. Faculdade que nos leva a acreditar na existência de um ente supremo como causa, fim ou lei universal.
Também pode ser definida como um culto prestado à divindade, uma crença na existência de um ou mais forças sobrenaturais. (monoteísmo ou politeísmo) reverencia às coisas sagradas, observância dos preconceitos religiosos: doutrina. É também o encontro do homem com a realidade sagrada da qual ele se considera inevitavelmente dependente, traduzido em determinadas atitudes práticas. Nasce, pois, duma experiencia do sagrado e tem a sua expressão visível do culto.

As religiões podem se dividir em dois tipos: os que supostamente têm origem humana (budismo, confucionismo e hinduísmo) ou as que supostamente são originadas por uma revelação divina (cristianismo, judaísmo).

A religião está, estreitamente, ligada a configuração da realidade metafísica à sobrenatural (em algumas religiões não há diferença entre o natural e o sobrenatural), isto é, a formas (e porque não manipulações) encontradas, produzidas e criadas pelo ser humano a fim de conceber o simbólico que mantêm em ligações com o misterioso, o abstracto e o desconhecido, que procura cada vez mais atingir (numa tentativa de explicar). Mas que, paradoxalmente, cada vez mais se distancia dele e, por consequência, o ajuda a orientar-se, a regular a sua própria vivencia e existência através de uma multiplicidade de representações simbólicas tornadas mitos e ritualizadas de medo colectivo ou individual (Alzira, Simões – antropóloga).

Pergunta: Qual a ligação entre a religião e a morte?

--» Uma das coisas que mais atormenta o ser humano é a morte. Aquilo que está fora do seu domínio como dono de si mesmo. Portanto a religião tenta dar uma explicação lógica para esta passagem dualista.

A religião dá uma explicação para grandes enigmas, como por exemplo a morte. A religião está permanente relacionada com a metafísica.

Outras funções:
--» Sublinhar os laços sociais.
--» O controlo social
--» Todas são baseadas na dualidade
--» Nem todas são dogmáticas
--» Proporcionar a ideia e coesão do grupo

Religião:
Umas das funções essenciais no contexto humano são uma função psicológica, crença em algo que nos transcende. Função integradora – porque se há um dogmaa que é transmitida quando há partilha das crenças. Também pode ser definida como um culto prestado à divindade.

Explicar a origem da vida e fenómenos sobrenaturais (metafísicos)
Explicar a dualidade entre a sociedade e o divino.
Forma de encontrar justificações lógicas como o aparecimento da vida e morte.
“Apaguizamento” de forças naturais incontroladas pelo homem.
Pensamento religioso – forma de coação (controlo social) devido a existir o céu e o inferno e as acções ficam condicionados.
Proporcionar a noção de pertença (existe em toda a sociedade) justifica a existência de religiões em toda a sociedade.

Exemplo a religião católica está baseada no dogma, contém leis primordiais que condicionam e estruturam a vida da sociedade.

As dogmáticas e não dogmáticas existe dualidade: bem e o mal, certo e o errado. É relativamente lógico que existe na sociedade a punição.
10 Mandamentos.

Religião popular/religião oficial (institucional):
Moisés Espírito Santo, no seu livro, Religião popular portuguesa, define a religião popular em função da religião <oficial> afirmando que <é o sistema religioso que goza de uma certa autonomia em relação à instituição eclesiástica, ainda que ambos tenham traços comuns e estejam por vezes ligados>.
O autor defende mesmo que <religião popular não está exclusivamente associada a uma classe social, económica e culturalmente pobre, ela liga-se, sim, a um tipo de cultura que se transmite nas relações da vizinhança e na memória colectiva>. Mais à frente, termina a sua definição de religião popular, referindo que esta <é espontânea, e de criação colectiva e pertence ao fundo cultural da comunidade ou de uma classe popular homogénea> contrapondo-a à <religião católica e dominante (oficial/institucional) que obedece a esquemas intelectuais cujo trama é uma dogmática regida e erudita>.

Conceito de fé:
R. Popular: sacrifício físico, fé é tudo aquilo que os antepassados fazem
R. Oficial – sacrifício é ajudar os outros, fé acreditar em Deus e no que a bíblia tem escrito.



O sagrado e o profano: entre os povos antigos, a vida religiosa não contemplava essa distinção: sagrado e profano eram categorias inexistentes.
A religião era o centro da vida e todas as demais coisas eram naturalmente relacionadas com ela. O plantio da Terra, a procriação e a diversão eram expressões religiosas, na medida em que se tornavam oferendas aos Deuses. Os rituais misturavam actos sexuais, orgias e danças, como no festival do Dionísio, a divindade greco-romana. A dança sempre foi um acessório cultural, entre os índios, nas religiões afro, no antigo egispto e em inúmeros cultos religiosos.

A presença do seco, dança e bebida nos cultos pagãos deve-se ao facto que a diversão era uma forma adequada da cultura, segundo os padrões daquela religião. A união entre o sagrado e o profano era natural num mundo em que os deuses eram espíritos evoluídos ou espíritos de guerreiros humanos, que portanto apreciavam as coisas próprias do homem.

--» O espaço do profano é tudo aquilo que está fora do espaço religioso.
--» A noção de BEM e MAL é sempre para controlar a sociedade
--» COSMOGONIA – Surgimento do Universo
--» CARETOS  fazem uma manifestação na época do natal

Sagrado
Profano
“Ordem”
“Desordem”
Igreja
“Espaço exterior”
Natal
Carnaval
Água benta*
Água
·        Para um ateu, a água não é benta nem deixa de o ser: a propriedade não existe.

Rituais religiosos
Rituais mágicos
Calendarização
Encomenda
Institucional
Pontual
Suplica-se
Manipula-se
Não se tem controlo
Ordena-se

--» O ritual de cura no México que, enquanto diziam rezas,  passavam-se os ovos sobre a criança enquanto tomavam coca cola e comiam bolos.
Ao longo do dia os ovos, após serem passados pela criança iam escurecendo (não estavam podres porque não fediam) e a criança ia tendo melhoras.
Ao fim do dia, ao passar o último ovo, este saiu completamente escuro e no mesmo instante a criança se levantou e começou a correr.


O profano é algo que não existe antes da igreja católica. Era todos os rituais feitos pelo povo, em celebração aos deuses. Só existe desde que houve a ideia do pecado.



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